vem a me cruzar o caminho, a me impedir, a me pisar e me invadir, ouço isso, meu amuleto:
DJIGUENE - WOMAN
I admire you, woman of the fields
you, who cultivates the earth and feeds our children
you, who knows the secrets of plants and heals sickness.
I admire you, woman of the shadows
you, who fights for freedom
you, who battles for peace
to change the world
you are the future, woman
you, who knows how to forgive
woman of Africa, woman of Asia, woman of Europe, woman of the world
I admire you, ghetto woman
you, who becomes a loving mother
to orphans who have lost everything
you, who are so sensitive and generous
because of you, these young people can smile
you are love, you are forgiveness
you are hope, you are a star
you, who knows how to speak fine words
woman of Africa, woman of Asia, woman of Europe,
woman of the world
domingo, 20 de outubro de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
Entrevista comemorativa ao Dia da Mulher
Portal Personare: Quais são as queixas mais frequentes das mulheres em relação à carreira?
CF: Tenho ouvido nas sessões de Coaching que está havendo um movimento em busca do equilíbrio no uso do tempo, entre trabalho, família e cuidar mais de si, buscando aumentar a qualidade de vida. Encontro menos mulheres atualmente que “só trabalham”, as workaholics 100%. Esse caminho nos levou a hipercompetitividade, aumento do stress, consumo desregrado de medicamentos, isolamento e ao narcisismo, enquanto muitas vezes não trouxe o retorno financeiro desejado. Ele interessa mais aos donos de empresas do que à própria funcionária. Afinal, quantas mulheres conhecemos que ganham os mesmos salários de altos executivos? Penso que no futuro o número de homens e mulheres brasileiros ganhando salários a partir de cinco dígitos irá se igualar, mas o preço a pagar está parecendo alto demais para nós, que ainda somos desigualmente responsáveis pela casa e cuidados com os filhos. Algumas já estão se questionando e dizendo “Não” a isso.
Portal Personare: Por que você acha que as mulheres tem queixas nessa área da vida?
CF: As queixas que ouço em coachtório são principalmente pela não valorização de seus esforços, o cansaço extremo e a incapacidade de manejar tanto stress sem adoecer ou estar ausente para os filhos. Outra queixa é sobre a luta insana por resultados financeiros no mercado de trabalho, o que precipita muitos conflitos internos, transformando as organizações em ambientes nocivos. Quinze minutos de ginástica laboral por dia podem amenizar a nocividade, mas podem também “tapar o sol com a peneira”. Não é incomum ouvir “Eu não aguento mais aquele lugar!” Significa que a pressão está superando largamente as habilidades disponíveis para a pessoa vencer os conflitos. Precisamos “acordar” para o fato que de vestir a roupa de heroínas é, ainda, um resquício do discurso do patriarcado agindo sobre nós. Mulheres menos influenciadas por esse discurso são mais colaborativas, amigáveis, confidentes e se fortalecem distribuindo as obrigações e os méritos também. Além disso, conseguem preservar e valorizar mais sua feminilidade, tendo mais “senso de identidade”, o que aumenta sua sensação de bem-estar, de pertencer, e ainda reduz o stress.
Portal Personare: Como você acha que esse tipo de insatisfação pode afetar negativamente a vida profissional dessas mulheres?
CF: Sim. O que eu vejo como mais grave é que a mulher está constantemente em busca do novo emprego (ou atividade) por não aguentar tanta insatisfação, ou seja, não desenvolve um trabalho consistente numa mesma organização, o que poderia criar sua reputação no mercado e, no longo prazo, fazê-la ganhar mais. Uma carreira sustentada a partir de muitas atividades diferentes para várias organizações – a não ser que a mulher trabalhe em consultoria - dificilmente irá trazer aprendizado e desenvolvimento das próprias competências e habilidades. Quando não se gera habilidade, não se sustenta uma reputação. É preciso tempo para isso e ninguém está mais conseguindo engolir a própria insatisfação. Quanto mais jovem é a mulher, mais isso é verdadeiro, já que a Geração Y (e a Geração X que logo estará nos bancos de estágios) prefere ser “multitarefa” e não teria pudores em trocar de emprego três vezes por ano.
Portal Personare: As mulheres ainda se sentem subjugadas no ambiente de trabalho?
CF: Não observo estarem subjugadas nas grandes cidades. Mal remuneradas, sim. No entanto, não seria a carga excessiva de atividades que nós “temos que dar conta” um tipo mascarado de subjugo? Principalmente se ganhamos mal por isso? É difícil dar um panorama “Brasil”, pois na maioria das cidades, mesmo a mulher que sai diariamente para trabalhar e traz o salário para pagar as contas, é esperada em casa no fim do dia para fazer e/ou servir o jantar. A mentalidade de igualdade existe apenas nas grandes cidades. O movimento mais interessante que observo é o das classes C e D, em que isso está mudando, pois a mulher é mais fortalecida pela identidade do grupo, absorvem novos valores e exigem seus direitos, que elas aprendem nas associações de moradores, grupos de apoio a mulheres, etc. Somamos a isso que elas já são provedoras e a maioria vive sem apoio de marido, segundo dados estatísticos. A mulher de classe rica sempre teve alternativas a ser subjugada, pois se estava estressada demais, combinava com uma amiga uma viagem de compras para Paris. Existem mais paliativos quando a conta bancária está recheada. Quem está sofrendo mais para mudar isso, na minha escuta, é a classe média, em que as mulheres ainda vivem subjugadas - não mais ostensivamente pelo homem - mas por seus próprios valores antiquados, fantasias de onipotência e de encontrar o príncipe encantado.
Portal Personare: Existem muitos conflitos entre a vontade de crescer na profissão e o lar?
CF: Sim, muitos conflitos. Crescer na profissão ainda vem banhado de culpa para as mães. Incrível como ser “carreirista” é bem visto quando se é jovem e passa a ser altamente condenável quando se tem filhos. A própria família olha com olhos retorcidos de condenação as extensas horas passadas em reuniões, projetos e viagens de trabalho. Esse dilema ouvimos de quase todas as mães que procuram o coaching. As que não sofrem tanto esse conflito são as que conseguiram encontrar o caminho do meio, estabelecendo claramente para si as horas em que desejam trabalhar, as horas que querem dedicar à família e as horas que querem cuidar de si, sendo esse terceiro elemento o que eu considero como a “novidade” nisso tudo. Sinal de que estamos começando a ocupar um lugar como indivíduos que cumprem suas obrigações, pagam impostos e, portanto, tem direitos também, assumindo mais nosso prazer.
Portal Personare: Na sua opinião, o que as mulheres devem fazer para minimizar os desafios na carreira e ter mais realização na vida profissional?
CF: Investir em si – sempre! Não se isolar. Estudar. Questionar suas verdades e pedir ajuda para isso. Descobrir quais são seus potenciais (através de testes de perfil ou coaching) e trabalhar duro para desenvolvê-los, com a técnica que for mais prazerosa para si. Quando utilizamos todas as nossas habilidades ganhamos mais autoestima para encarar os desafios de frente, mais resiliência e capacidade de medir as consequências dos nossos atos. Aumentamos nossa responsabilidade por nossos feitos e conquistas. Enquanto o “bicho papão” da carreira for mais forte que nós, sempre sairemos perdendo. Nosso duplo X tem que falar mais alto, nossas respostas estão no nosso lado feminino. Ainda não há androginia possível no mercado de trabalho. E acreditar nisso foi o que mais nos confundiu nos últimos quarenta anos.
CF: Tenho ouvido nas sessões de Coaching que está havendo um movimento em busca do equilíbrio no uso do tempo, entre trabalho, família e cuidar mais de si, buscando aumentar a qualidade de vida. Encontro menos mulheres atualmente que “só trabalham”, as workaholics 100%. Esse caminho nos levou a hipercompetitividade, aumento do stress, consumo desregrado de medicamentos, isolamento e ao narcisismo, enquanto muitas vezes não trouxe o retorno financeiro desejado. Ele interessa mais aos donos de empresas do que à própria funcionária. Afinal, quantas mulheres conhecemos que ganham os mesmos salários de altos executivos? Penso que no futuro o número de homens e mulheres brasileiros ganhando salários a partir de cinco dígitos irá se igualar, mas o preço a pagar está parecendo alto demais para nós, que ainda somos desigualmente responsáveis pela casa e cuidados com os filhos. Algumas já estão se questionando e dizendo “Não” a isso.
Portal Personare: Por que você acha que as mulheres tem queixas nessa área da vida?
CF: As queixas que ouço em coachtório são principalmente pela não valorização de seus esforços, o cansaço extremo e a incapacidade de manejar tanto stress sem adoecer ou estar ausente para os filhos. Outra queixa é sobre a luta insana por resultados financeiros no mercado de trabalho, o que precipita muitos conflitos internos, transformando as organizações em ambientes nocivos. Quinze minutos de ginástica laboral por dia podem amenizar a nocividade, mas podem também “tapar o sol com a peneira”. Não é incomum ouvir “Eu não aguento mais aquele lugar!” Significa que a pressão está superando largamente as habilidades disponíveis para a pessoa vencer os conflitos. Precisamos “acordar” para o fato que de vestir a roupa de heroínas é, ainda, um resquício do discurso do patriarcado agindo sobre nós. Mulheres menos influenciadas por esse discurso são mais colaborativas, amigáveis, confidentes e se fortalecem distribuindo as obrigações e os méritos também. Além disso, conseguem preservar e valorizar mais sua feminilidade, tendo mais “senso de identidade”, o que aumenta sua sensação de bem-estar, de pertencer, e ainda reduz o stress.
Portal Personare: Como você acha que esse tipo de insatisfação pode afetar negativamente a vida profissional dessas mulheres?
CF: Sim. O que eu vejo como mais grave é que a mulher está constantemente em busca do novo emprego (ou atividade) por não aguentar tanta insatisfação, ou seja, não desenvolve um trabalho consistente numa mesma organização, o que poderia criar sua reputação no mercado e, no longo prazo, fazê-la ganhar mais. Uma carreira sustentada a partir de muitas atividades diferentes para várias organizações – a não ser que a mulher trabalhe em consultoria - dificilmente irá trazer aprendizado e desenvolvimento das próprias competências e habilidades. Quando não se gera habilidade, não se sustenta uma reputação. É preciso tempo para isso e ninguém está mais conseguindo engolir a própria insatisfação. Quanto mais jovem é a mulher, mais isso é verdadeiro, já que a Geração Y (e a Geração X que logo estará nos bancos de estágios) prefere ser “multitarefa” e não teria pudores em trocar de emprego três vezes por ano.
Portal Personare: As mulheres ainda se sentem subjugadas no ambiente de trabalho?
CF: Não observo estarem subjugadas nas grandes cidades. Mal remuneradas, sim. No entanto, não seria a carga excessiva de atividades que nós “temos que dar conta” um tipo mascarado de subjugo? Principalmente se ganhamos mal por isso? É difícil dar um panorama “Brasil”, pois na maioria das cidades, mesmo a mulher que sai diariamente para trabalhar e traz o salário para pagar as contas, é esperada em casa no fim do dia para fazer e/ou servir o jantar. A mentalidade de igualdade existe apenas nas grandes cidades. O movimento mais interessante que observo é o das classes C e D, em que isso está mudando, pois a mulher é mais fortalecida pela identidade do grupo, absorvem novos valores e exigem seus direitos, que elas aprendem nas associações de moradores, grupos de apoio a mulheres, etc. Somamos a isso que elas já são provedoras e a maioria vive sem apoio de marido, segundo dados estatísticos. A mulher de classe rica sempre teve alternativas a ser subjugada, pois se estava estressada demais, combinava com uma amiga uma viagem de compras para Paris. Existem mais paliativos quando a conta bancária está recheada. Quem está sofrendo mais para mudar isso, na minha escuta, é a classe média, em que as mulheres ainda vivem subjugadas - não mais ostensivamente pelo homem - mas por seus próprios valores antiquados, fantasias de onipotência e de encontrar o príncipe encantado.
Portal Personare: Existem muitos conflitos entre a vontade de crescer na profissão e o lar?
CF: Sim, muitos conflitos. Crescer na profissão ainda vem banhado de culpa para as mães. Incrível como ser “carreirista” é bem visto quando se é jovem e passa a ser altamente condenável quando se tem filhos. A própria família olha com olhos retorcidos de condenação as extensas horas passadas em reuniões, projetos e viagens de trabalho. Esse dilema ouvimos de quase todas as mães que procuram o coaching. As que não sofrem tanto esse conflito são as que conseguiram encontrar o caminho do meio, estabelecendo claramente para si as horas em que desejam trabalhar, as horas que querem dedicar à família e as horas que querem cuidar de si, sendo esse terceiro elemento o que eu considero como a “novidade” nisso tudo. Sinal de que estamos começando a ocupar um lugar como indivíduos que cumprem suas obrigações, pagam impostos e, portanto, tem direitos também, assumindo mais nosso prazer.
Portal Personare: Na sua opinião, o que as mulheres devem fazer para minimizar os desafios na carreira e ter mais realização na vida profissional?
CF: Investir em si – sempre! Não se isolar. Estudar. Questionar suas verdades e pedir ajuda para isso. Descobrir quais são seus potenciais (através de testes de perfil ou coaching) e trabalhar duro para desenvolvê-los, com a técnica que for mais prazerosa para si. Quando utilizamos todas as nossas habilidades ganhamos mais autoestima para encarar os desafios de frente, mais resiliência e capacidade de medir as consequências dos nossos atos. Aumentamos nossa responsabilidade por nossos feitos e conquistas. Enquanto o “bicho papão” da carreira for mais forte que nós, sempre sairemos perdendo. Nosso duplo X tem que falar mais alto, nossas respostas estão no nosso lado feminino. Ainda não há androginia possível no mercado de trabalho. E acreditar nisso foi o que mais nos confundiu nos últimos quarenta anos.
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